Ora, direis, ouvir estrelas...
Eu acho que a gente vive, definitivamente, na pior época da história mundo para se encontrar relacionamento.
Sério.
E, por favor, não me vem com blá-blá-blá de auto aceitação ou ainda de se abrir para pessoas e possibilidades novas. Been there, done that.
Está bem difícil meeesmo. De verdade.
Comigo tenho alguns dilemas que se limitam em dois extremos que possam vir a definir qualquer interesse entre duas pessoas: quando não é o corpo é a cabeça; quando não é a cabeça é o corpo.
Não me leve a mal, o corpo é extremamente necessário. Preciso de algo que me chame a atenção para que eu possa partir para o próximo level. Creio que seja assim com todo mundo. (Não vou falar sobre as características que pulam da página para mim porque seria muito apelativo da minha parte).
Mas não demora duas ou três linhas de conversa – vale lembrar que, quase tudo hoje em dia começa e termina pelas redes sociais – para eu soltar aquele ‘meh’ e seguir em frente.
Sou exigente? Talvez.
Mas, acho que não. É pedir demais uma conversa boa e interesses que ultrapassem o óbvio?
Er... acho que sim.
Mas, chega de me contra argumentar. Estou soltando mimimis e é pra isso que eu parei tudo para escrever.
Ou o nível vem sendo colocado muito abaixo do normal ou eu estou exigindo uma mistura de Gerard Butler com Barack Obama (hashtag impossível). Como eu sei que isso não acontece, eu acredito que posso discorrer um pouco mais sobre isso.
Completei esse ano 6 anos de solteirice.
Aproveito para dedicar esse post a todos os casos nos quais não deram certo e a todos que me perguntam se isso é realmente verdade. É verdade, ué. Porque não seria?
Eu vivo numa sociedade na qual minha personalidade e talvez meu físico não estão no top 10 das mais pedidas. (Acho que nem no top 20).
Uma mistura de baixinha, gorducha e peituda conseguem me definir bem. (Uma Mônica com hormônios demais, pode-se dizer). Estou naquele processo de empoderamento que é lindo na teoria e o demônio na prática. É muito difícil olhar no espelho, pra tudo aquilo que você sabe que não é bem aceito, e ainda levantar o queixo e dizer “eu posso”. Para quem nunca passou por isso, deixa eu te explicar: é como se você tentasse ser constantemente ser o que não é com a possível consequência de ficar sozinha.
“Que naaaada, as pessoas não são assim tão superficiais”.
São, amor. E eu e mais uma pancada de gente compomos a prova disso. Se tem uma coisa que eu aprendi é que as pessoas sempre são o pior que a gente pode imaginar.
“Uma hora aparece”.
Aparece mesmo. De diversas formas, em diversos contextos, com diversas caras.
Posso dizer que nestes 6 anos eu conheci mais de 15 caras que foram bem legais comigo. Uns dois eu até achei que ia pra frente. Mas demos com os burros n’água na suposta “maturidade” que insistimos em dizer que temos e, na verdade, tal maturidade era tão sólida quanto água corrente. Evitamos jogar joguinhos – jogamos. Evitamos mentir – mentimos. Evitamos disfarçar – disfarçamos.
Fizemos tudo errado. E o resultado foi esse: caminhos separados, mais algumas mágoas nas malinhas de mão do coração e outra história para contar no meio de um gole amargo de cerveja.
Chego a desconfiar de que eu desaprendi a amar.
Eu não sei se um dia eu soube, aliás.
O nevoeiro das minhas especulações é denso e eu não sei mais o que pensar em relação a tudo isso. O que me sobra mesmo são as certezas dos fatos: não aconteceu.
E parece que o destino continua me afirmando de que não vai acontecer.
Escolhi essa imagem do Tinder por motivos vários.
1- Sim, eu uso Tinder. A gente vive a espera de um milagre, não é mesmo? Vai ver um dia a gente vira uma daquelas histórias de portais da internet: “casal se conhece por aplicativo de namoro e se casa”. Não costumo desconfiar das reviravoltas do destino;
2- Você entra no Tinder procurando pessoas. E achei engraçado, no mínimo icônico, que, no fim, tudo que aparece é essa frase:
Não é hilário? “Ow, senhor Tinder, não precisa passar na cara o que eu já sei, né? Nossa... insensível”.
Risos.
Do mesmo jeito que tem gente que se pasma quando eu digo que não namoro há muito tempo – em geral amigos ou meus pais, porque o resto parece nem desconfiar que isso acontece comigo – eu me pasmo com a surpresa deles.
Eu supostamente passo alguma imagem de bem resolvida?
Porque, cara, eu sou uma das pessoas mais mal resolvidas que eu conheço. No estilo ‘treta’ mesmo. Eu escolhi jornalismo e tô desempregada há mais de dois anos. Eu fiz uma dieta e engordei tudo de novo do início de 2016 para cá. Eu não tenho relacionamentos duradouros desde 2010. Meu ciclo de amigos é extremamente limitado e eu passo boa parte da minha semana em programações com meus pais. Minha conta na analista e na psiquiatra não param de crescer e, enquanto tudo isso acontece, Donald Trump é eleito nos EUA.
(Sim, tem tudo a ver.)
Eu posso ser definitivamente aquela definição do tipo “não tem nada para comemorar”. A não ser o fato de que eu banque a vítima dignissimamente bem, que tal?
Risos.
Pois é, ainda tem essa. Enquanto uso meu espaço pessoal de desabafo – no qual eu divulgo com a intenção de ser um grito de libertação – ainda tenho que lidar com as energias que chegam até mim = “adora chamar uma atenção, não é mesmo?”
Talvez. E se você está lendo até agora, talvez eu tenha conseguido a sua atenção. Obrigada.
Para finalizar, eu gostaria de citar um trecho de Carlos Drummond de Andrade que diz... brincadeira.
Não tenho memória suficiente para citar Carlos Drummond. O máximo que se atém no meu subconsciente pessimista é Augusto dos Anjos e o palhaço do Olavo Bilac com “ora, direis, ouvir estrelas...”.
Vou finalizar com a afirmativa que o gênio que desenvolveu o aplicativo Tinder teve a inteligência de criar para acalmar ainda mais os nervos dos seus consumidores desesperados e carentes:
“Não há ninguém perto de você”.
E ninguém se importa.
Beijos!
Sério.
E, por favor, não me vem com blá-blá-blá de auto aceitação ou ainda de se abrir para pessoas e possibilidades novas. Been there, done that.
Está bem difícil meeesmo. De verdade.
Comigo tenho alguns dilemas que se limitam em dois extremos que possam vir a definir qualquer interesse entre duas pessoas: quando não é o corpo é a cabeça; quando não é a cabeça é o corpo.
Não me leve a mal, o corpo é extremamente necessário. Preciso de algo que me chame a atenção para que eu possa partir para o próximo level. Creio que seja assim com todo mundo. (Não vou falar sobre as características que pulam da página para mim porque seria muito apelativo da minha parte).
Mas não demora duas ou três linhas de conversa – vale lembrar que, quase tudo hoje em dia começa e termina pelas redes sociais – para eu soltar aquele ‘meh’ e seguir em frente.
Sou exigente? Talvez.
Mas, acho que não. É pedir demais uma conversa boa e interesses que ultrapassem o óbvio?
Er... acho que sim.
Mas, chega de me contra argumentar. Estou soltando mimimis e é pra isso que eu parei tudo para escrever.
Ou o nível vem sendo colocado muito abaixo do normal ou eu estou exigindo uma mistura de Gerard Butler com Barack Obama (hashtag impossível). Como eu sei que isso não acontece, eu acredito que posso discorrer um pouco mais sobre isso.
Completei esse ano 6 anos de solteirice.
Aproveito para dedicar esse post a todos os casos nos quais não deram certo e a todos que me perguntam se isso é realmente verdade. É verdade, ué. Porque não seria?
Eu vivo numa sociedade na qual minha personalidade e talvez meu físico não estão no top 10 das mais pedidas. (Acho que nem no top 20).
Uma mistura de baixinha, gorducha e peituda conseguem me definir bem. (Uma Mônica com hormônios demais, pode-se dizer). Estou naquele processo de empoderamento que é lindo na teoria e o demônio na prática. É muito difícil olhar no espelho, pra tudo aquilo que você sabe que não é bem aceito, e ainda levantar o queixo e dizer “eu posso”. Para quem nunca passou por isso, deixa eu te explicar: é como se você tentasse ser constantemente ser o que não é com a possível consequência de ficar sozinha.
“Que naaaada, as pessoas não são assim tão superficiais”.
São, amor. E eu e mais uma pancada de gente compomos a prova disso. Se tem uma coisa que eu aprendi é que as pessoas sempre são o pior que a gente pode imaginar.
“Uma hora aparece”.
Aparece mesmo. De diversas formas, em diversos contextos, com diversas caras.
Posso dizer que nestes 6 anos eu conheci mais de 15 caras que foram bem legais comigo. Uns dois eu até achei que ia pra frente. Mas demos com os burros n’água na suposta “maturidade” que insistimos em dizer que temos e, na verdade, tal maturidade era tão sólida quanto água corrente. Evitamos jogar joguinhos – jogamos. Evitamos mentir – mentimos. Evitamos disfarçar – disfarçamos.
Fizemos tudo errado. E o resultado foi esse: caminhos separados, mais algumas mágoas nas malinhas de mão do coração e outra história para contar no meio de um gole amargo de cerveja.
Chego a desconfiar de que eu desaprendi a amar.
Eu não sei se um dia eu soube, aliás.
O nevoeiro das minhas especulações é denso e eu não sei mais o que pensar em relação a tudo isso. O que me sobra mesmo são as certezas dos fatos: não aconteceu.
E parece que o destino continua me afirmando de que não vai acontecer.
Escolhi essa imagem do Tinder por motivos vários.
1- Sim, eu uso Tinder. A gente vive a espera de um milagre, não é mesmo? Vai ver um dia a gente vira uma daquelas histórias de portais da internet: “casal se conhece por aplicativo de namoro e se casa”. Não costumo desconfiar das reviravoltas do destino;
2- Você entra no Tinder procurando pessoas. E achei engraçado, no mínimo icônico, que, no fim, tudo que aparece é essa frase:
Não é hilário? “Ow, senhor Tinder, não precisa passar na cara o que eu já sei, né? Nossa... insensível”.
Risos.
Do mesmo jeito que tem gente que se pasma quando eu digo que não namoro há muito tempo – em geral amigos ou meus pais, porque o resto parece nem desconfiar que isso acontece comigo – eu me pasmo com a surpresa deles.
Eu supostamente passo alguma imagem de bem resolvida?
Porque, cara, eu sou uma das pessoas mais mal resolvidas que eu conheço. No estilo ‘treta’ mesmo. Eu escolhi jornalismo e tô desempregada há mais de dois anos. Eu fiz uma dieta e engordei tudo de novo do início de 2016 para cá. Eu não tenho relacionamentos duradouros desde 2010. Meu ciclo de amigos é extremamente limitado e eu passo boa parte da minha semana em programações com meus pais. Minha conta na analista e na psiquiatra não param de crescer e, enquanto tudo isso acontece, Donald Trump é eleito nos EUA.
(Sim, tem tudo a ver.)
Eu posso ser definitivamente aquela definição do tipo “não tem nada para comemorar”. A não ser o fato de que eu banque a vítima dignissimamente bem, que tal?
Risos.
Pois é, ainda tem essa. Enquanto uso meu espaço pessoal de desabafo – no qual eu divulgo com a intenção de ser um grito de libertação – ainda tenho que lidar com as energias que chegam até mim = “adora chamar uma atenção, não é mesmo?”
Talvez. E se você está lendo até agora, talvez eu tenha conseguido a sua atenção. Obrigada.
Para finalizar, eu gostaria de citar um trecho de Carlos Drummond de Andrade que diz... brincadeira.
Não tenho memória suficiente para citar Carlos Drummond. O máximo que se atém no meu subconsciente pessimista é Augusto dos Anjos e o palhaço do Olavo Bilac com “ora, direis, ouvir estrelas...”.
Vou finalizar com a afirmativa que o gênio que desenvolveu o aplicativo Tinder teve a inteligência de criar para acalmar ainda mais os nervos dos seus consumidores desesperados e carentes:
“Não há ninguém perto de você”.
E ninguém se importa.
Beijos!



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